A área geográfica do concelho de Nelas situa-se no interflúvio do Rio Mondego e do Rio Dão, que serpenteiam ao longo das serranias da Estrela e do Caramulo.

Este enquadramento geográfico privilegiado, encaixado entre os vales acidentados dos dois rios, com uma zona planáltica que privilegiou desde tempos ancestrais a travessia dos seus rios na direção de Seia, Oliveira do Hospital e Viseu, bem como a passagem pela zona planáltica na direção orientada entre os concelhos vizinhos de Mangualde e Carregal do Sal. Permitindo a movimentação de comunidades e a prática da transumância…

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HABITAT E ORCA DA LAPA DO LOBO

 

Este sítio arqueológico revela uma longa história a que o topónimo Cruz Alta associa uma memória popular longa, tal como a própria lenda da Lapa do Lobo:

1 – A ocupação do local começa com a instalação de uma aldeia de cabanas elipsoidais (quatro escavadas mais uma estrutura de suporte de um “silo”) durante o Neolítico Antigo (c.5500-4000 a.C).

2 – Durante o Neolítico Médio (c.4000-3600 a.C.), é construído um dólmen (um sepulcro, a Orca) que parece ter tido uma pequena câmara poligonal sem corredor.

3 – No Neolítico Final (c.3600-2500 a.C.), o monumento funerário foi transformado num “santuário”. A câmara foi desmantelada e os esteios arrumados de encontro à respetiva cabeceira, a mamoa alteada com terras por três vezes, correspondendo a cada uma delas a estruturação de uma fossa preenchida com “conjuntos pétreos” que acomodavam esteias e pequenos ídolos sobre seixos. Na fase intermédia a fossa central foi complementada com outras duas menores com igual função. E na fase superior com mais uma idêntica.

Da fase de utilização como “santuário”, provêm cerca de 103 esteias e 31 ídolos sobre seixos. À superfície da mamoa, foi recolhida 1 estela-menhir. Este conjunto de elementos de cariz simbólico (o maior conhecido) configura desde já uma situação ímpar no território nacional.

 

HABITAT E ORCA DO FOLHADAL

 

Este sítio arqueológico revelou restos de duas etapas distintas do Neolítico regional:

1 – Num primeiro momento, durante o Neolítico Antigo (c. 5500-4000 a.C-), instalou-se nesta rechã da vertente Norte do Mondego uma pequena aldeia de cabanas elipsoidais, das quais foram escavadas cinco.

2 – Já durante o Neolítico Médio (c. 4000-3600 a.C.), após o abandono da aldeia, foi construído o dólmen (a Orca) com uma pequena câmara poligonal e um igualmente pequeno corredor que abria para um átrio empedrado na parte frontal.

3 – Num último momento, ainda durante o Neolítico Médio, o dólmen foi fechado com uma laje vertical e o átrio preenchido com terra e pedra de modo a ocultar a entrada. O anel de grandes pedras que rodeia a mamoa foi completado na zona frontal de modo a que estava totalmente inacessível o interior do dólmen.

 

ORCA DAS PRAMELAS

 

A Orca de Pramelas é um pequeno monumento megalítico (dólmen) com uma câmara poligonal com o chão lajeado e um corredor pequeno e simbólico.

Foi escavado em 1985 e forneceu um espólio típico do Neolítico Médio (c. 4000-3600 a.C.):

– 2 machados de anfibolito polido; 10 micrólitos geométricos sobre lâmina de silex (5 triângulos e cinco crescentes); 2 lâminas em silex; 1 colar de contas discoides em xisto e 1 braçal de arqueiro.

Num momento provavelmente do Séc. IV da nossa era, foi realizado no monumento um enterramento romano (o monumento situa-se próximo de uma antiga via romana) de onde provêm duas moedas de bronze e o fundo de um unguentário em cerâmica

 

ORCA DO PINHAL DOS AMIAIS

 

Construída durante o Neolítico final, 3600-3200 a.C., apresenta uma câmara megalítica poligonal, de 9 esteios e corredor desenvolvido.

Foi possível identificar vários momentos de utilização:

1 – Do Neolítico final regional, com geométricos, pontas de seta, lâminas e foices em sílex, machados e enxós em pedra polida, cerâmica não decorada e saliente-se a presença de elementos de adorno em pedra verde-Variscite – cuja matéria-prima é originária da região de Zamora;

2- Do Bronze inicial (2300-1750 a.C.), com deposições na área frontal, destacando-se as cerâmicas decoradas, que apontam para uma «reutilização» em momentos em que este continuaria a ter um papel de «Espaço de Memória» para as comunidades locais.

3- Deposição funerária tardo-romana por volta do Séc. Ill/V, numa situação semelhante à da Orca de Pramelas.