Projeto piloto “Nelas a Cuidar” apresentado às entidades com intervenção social no concelho
O projeto piloto “Nelas a Cuidar”, uma iniciativa inovadora do Município de Nelas que visa transformar a abordagem ao ato de cuidar, foi apresentado esta quarta-feira, 21 de outubro, na Biblioteca Municipal de Nelas.
A sessão teve início com uma atuação dos professores de música da Academia Municipal de Artes de Nelas, que deram as boas-vindas a um público constituído por diversas entidades com intervenção social no concelho, nomeadamente autarquias, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), forças de segurança, prestadores de cuidados de saúde e representantes da área da educação.
Seguiu-se a apresentação do livro “A Mala Mágica”, da coautoria de Ana Nascimento, Sofia Colaço e Vanessa Carvalho. Esta obra resulta de um projeto desenvolvido pelo Espaço ComVida, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no período pós-COVID-19, numa altura em que a pandemia provocou o isolamento social de pessoas e instituições.
Pela voz da coautora Ana Nascimento, “A Mala Mágica” assumiu um papel desafiador na construção de pontes entre diferentes entidades, convidando cada participante a escolher um objeto significativo para a sua prática profissional e a escrever uma parte da história. Desta iniciativa nasceu uma obra que, mais do que um livro, procura dar voz a projetos sociais e a práticas inovadoras, desmistificando a demência, valorizando a participação das pessoas e preservando a memória.
Esta experiência serviu de ponto de partida para a apresentação do projeto pioneiro “Nelas a Cuidar”, conduzido por Sofia Colaço. Partindo do pressuposto de que todos nós cuidamos de alguém, ou de que um dia vamos cuidar de alguém, o Município de Nelas decidiu apostar num programa territorial de cuidado preventivo, transversal e intergeracional, com o intuito de promover uma “Cultura do Cuidar” ao longo da vida.
Porquê Nelas? Uma criança pode ter um avô com demência ou um irmão com deficiência; uma família pode tornar-se cuidadora sem formação; um profissional pode sentir desgaste; uma instituição pode precisar de novas ferramentas para intervir e a comunidade pode não estar preparada para reconhecer e/ou responder a estas situações.
Neste sentido, este programa tem como propósito aproximar pessoas, famílias, profissionais, instituições, escolas, serviços de saúde e o próprio Município, criando diferentes respostas que promovam e valorizem a autonomia, o bem-estar, a inclusão e a capacidade da comunidade para cuidar.
Pretende-se, assim, construir uma “Cultura do Cuidar” ao longo de todo o ciclo de vida – dos 3 aos 99 e muitos anos –, através da capacitação, da educação, do apoio às famílias, da qualificação das organizações e da articulação dos recursos existentes no território.
Este modelo contínuo e integrado de intervenção comunitária, que articula diferentes públicos, pretende incutir uma corresponsabilização pelo cuidar através de diversas ações enquadradas em quatro eixos de intervenção: Cuidar em Casa, Cuidar de Quem Cuida, Uma Comunidade que Cuida e Aprender a Cuidar.
Em suma, a iniciativa pretende intervir precocemente na comunidade, desconstruindo mitos, medos e preconceitos e promovendo a compreensão das emoções complexas que fazem parte do quotidiano de quem cuida.
O objetivo é que uma criança aprenda a reconhecer o sofrimento de alguém, que uma família saiba onde procurar ajuda, que o cuidador saiba que não precisa de chegar ao limite para pedir ajuda, que um profissional saiba que também é cuidado, que uma instituição olhe para além da resposta, que uma comunidade saiba reconhecer a importância de cuidar e que o Município assuma um papel ativo na construção de um território mais preparado, inclusivo e humano.
Se cuidarmos HOJE e prevenirmos o AMANHÃ, estamos a contribuir para a construção de uma comunidade com maior longevidade.







